sexta-feira, 12 de maio de 2017

Escuridão...


Às vezes, num momento de sufoco nos sentimos
mergulhados na escuridão
dos sentimentos negativos.
Os problemas nos parecem mais graves
e as soluções mais difíceis.
Mas, na verdade
 nada está escuro ao nosso redor.
 A ansiedade é que nos tira
a capacidade de perceber a luz.

Desconhecido

terça-feira, 9 de maio de 2017

A tua estrela.


Que a Tua estrela nos encontre
disponíveis para a viagem
mesmo sem que percebamos tudo
Que o seu brilho nos torne pacientes
Com as coisas não resolvidas do nosso coração
E nos ajude a amar as difíceis questões
Segredam pelo tempo fora
Que a tua estrela nos faça reconhecer
Que nunca é tarde
Para que se tornem de novo ágeis e sonhadores
Os nossos passos cansados
Pois nós próprios nos tornamos em estrelas
Quando arriscamos perpetuar
 A Tua luz multiplicada

 José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Força...


Que a força do medo que tenho
 Não me impeça de ver o que anseio
 Que a morte de tudo em que acredito
 Não me tape os ouvidos e a boca
 Porque metade de mim é o que eu grito
é saudade Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
 outra metade um vulcão

 Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
 Que o espelho reflicta meu rosto num doce sorriso
 Que me lembro ter dado na infância
 Pois metade de mim é a lembrança do que fui
 A outra metade não sei
 Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
 Pra me fazer aquietar o espírito
 E que o seu silêncio me fale cada vez mais
 Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço
 Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
 E que ninguém a tente complicar
 Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
 Pois metade de mim é plateia
 A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também...


 Oswaldo Montenegro
 Carlos Fonseca

sábado, 29 de abril de 2017

O amor quando se revela


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

 Ah, mas se ela adivinhasse
 Se pudesse ouvir o olhar
 E se um olhar lhe bastasse
 P'ra saber que a estão a amar!

 Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar
 Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar...

 Fernando Pessoa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O Homem e a Mulher


O homem é a mais elevada das criaturas.
 A mulher, o mais sublime dos ideais.
 Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
 O trono exalta e o altar santifica.
 O homem é o cérebro; a mulher, o coração.
 O cérebro produz a luz; o coração produz amor.
 A luz fecunda; o amor ressuscita.
 O homem é o génio; a mulher é o anjo.
O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
 A aspiração do homem é a suprema glória;
 a aspiração da mulher é a virtude extrema;
A glória promove a grandeza, e a virtude, a divindade.
 O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência.
 A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
 O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
 A razão convence e as lágrimas comovem.
 O homem é capaz de todos os heroísmos;
 a mulher, de todos os martírios.
 O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
 O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta
 Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma
 Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
 a mulher, onde começa o céu.

 Victor Hugo
.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lenda e mistério...

 Diz a lenda que muitos e muitos anos atrás
Um casal que se amava contra a vontade dos pais
Se encontravam escondidos na escuridão
Eram guiados pela força da paixão
Era o amor vencendo o medo
 A sete chaves em seu coração
 Deus ouvindo as preces daquele jovem casal
 Lhe mandou o mais lindo sinal
E nesse instante uma luz iluminou o céu
E ele prometeu olhando em seus olhos de mel
O mundo inteiro vai saber que foi
O nosso amor que fez nascer
A lua cheia no céu
Para iluminar quem quiser amar
Lendas e mistérios de um amor ete
Que nem mesmo o tempo foi capaz de apagar
Foi assim que aconteceu
 Um amor que não morreu



Autor do texto
desconhecido

domingo, 9 de abril de 2017

Nossa escolha...


Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas
elas têm que reflectir o que a gente é.
Lógico que se deve reavaliar decisões
e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar
e não para anular a vivência do caminho
anteriormente percorrido.
A estrada é longa e o tempo é curto
Não deixe de fazer nada que queira
mas tenha responsabilidade e maturidade
para arcar com as consequências destas acções
Lembrem-se: suas escolhas têm
50% de chance de darem certo
mas também 50% de chance de darem errado
 A escolha é sua...

Pedro Bial

foto- Maria Dilar

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pense positivo...


"Tire do coração o medo
 não dê lugar aos sentimentos que lhe roubam a paz.
 Pense positivo, sonhe alto
 tenha fé, seja grande de coração e seja grato.
No caminhar da vida nem sempre o caminho será fácil
 mas mesmo em meio
as pedras, Deus nos dará sapatos adequados."

 __ Yla Fernandes

sexta-feira, 31 de março de 2017

Reflexão...


Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura

Martha Medeiros

quarta-feira, 22 de março de 2017

PRIMAVERA!


Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências
O que for, quando for, é que será o que é.

 (Poemas Inconjuntos, heterónimo de Fernando Pessoa) Alberto Caeiro


Imagem  (google)

domingo, 19 de março de 2017

Não sou uma deusa...


Não sou uma deusa da beleza,
 não tenho um corpo perfeito
 mas tenho algo que encanta
 algo que flui natural
 e confesso que me transborda de orgulho
 ser a musa inspiradora de um homem muito especial

. Gardenia by Gardenia
 art by Mario Dilitz

sábado, 18 de março de 2017

Janelas do meu quarto.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo. que ninguém sabe quem é
 ( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
 Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
 Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
 Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa
 Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
 Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
 Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
 Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
 Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer
 E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
 A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
 Falhei em tudo.
 Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
 A aprendizagem que me deram
 Desci dela pela janela das traseiras da casa.

 (Trecho de Tabacaria, de Fernando Pessoa)