sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os ninguens,os donos de nada.


"Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
 Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos,
 morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
 Que não falam idiomas, falam dialectos.
 Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
 Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
 Que não têm nome, têm número.
 Que não aparecem na história universal
 aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.” . .

 Eduardo Galeano, em “O Livro dos Abraços”


domingo, 8 de abril de 2018

Maria Dilar _ Fronteira de Coragem

.
t
Portugal visto de cima
 é um Fernando Pessoa... distante, profundo
 e intrigante, cheio de reentrâncias e Saramagos...

 Moog Laet

sábado, 7 de abril de 2018

Se alguém lhe disser que sonha...


Vestiu-se para um baile que não há.
 Sentou-se com suas últimas jóias.
 E olha para o lado, imóvel.
 Está vendo os salões que se acabaram
 embala-se em valsas que não dançou
 levemente sorri para um homem.
 O homem que não existiu.
 Se alguém lhe disser que sonha
 levantará com desdém o arco das sobrancelhas
 Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
 Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas
 e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

 Cecília Meireles, 'Poemas (1942-1959)'

sexta-feira, 30 de março de 2018

A vida é barulhenta


A vida é barulhenta.
 Dentro ou fora de nós, nada se aquieta.
Queremos nos comunicar, exigimos respostas
 na velocidade de super-hiper-mega bytes
 contabilizamos "notificações", desejamos
 ser cutucados de volta.
Sem perceber, desaprendemos a silenciar.
 Desaprendemos a suportar a voz que cala
 e sofremos com a falta de respostas.
Desaprendemos a ser ausência.
 De vez em quando é necessário ser silêncio.
Habituar-se à própria presença
 inteirar-se de sua solidão.
Comunicar tudo sem dizer nada.

 Fabíola Simões

domingo, 18 de março de 2018

Tantas formas revestes

Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
 Desesperado Que apenas ouve o eco…
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.

 Miguel Torga

quinta-feira, 8 de março de 2018

Então cuide bem de você...


Então, cuide bem de você.
Do que você sente, do que você faz
do que você vê e agrega.
Cuide dos seus, avalie a sua importância.
Tome conta de si, reajuste-se, pergunte-se.
Inclua o necessário.
Desligue o menos importante.
Abra mão quando for preciso.
Aumente a beleza do verbo permanecer.

 (Priscila Rôde).

terça-feira, 6 de março de 2018

Como a noite é longa


Como a noite é longa!
 Toda a noite é assim...
 Senta-te, ama, perto Do leito onde esperto.
 Vem para ao pé de mim... Amei tanta coisa...
 Hoje nada existe
 Aqui ao pé da cama Canta-me, minha ama
 Uma canção triste. Era uma princesa
 Que amou... Já não sei... Como estou esquecido!
 Canta-me ao ouvido E adormecerei...
 Que é feito de tudo? Que fiz eu de mim?
 Deixa-me dormir, Dormir a sorrir
 E seja isto o fim.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018



Ode ao Gato
Tu e eu temos de permeio a rebeldia que desassossega, a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome, que ninguém tente reduzir-nos ao silêncio branco da cinza
 pois nós temos fôlegos largos de vento e de névoa para de novo nos erguermos
 e, sobre o desconsolo dos escombros, formarmos o salto que leva à glória ou à morte
 conforme a harmonia dos astros e a regra elementar do destino.

 José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Maria Dilar _ Lisboa a beira Tejo




No mês preferido dos alfacinhas, as ruas da cidade enchem-se de bandeirolas coloridas, manjericos cheirosos, sardinhas a saltar na grelha e imperiais fresquinhas. Em tudo o que é bairro celebra-se o Santo António com música popular, marchas ... e dança aos pares.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Rodrigo Leão & Lula Pena - Pasión




TALENTO....MAGIA....SEDUÇÃO ....EROTISMO !!  RODRIGO LEÃO e LULA PENA NO SEU MELHOR!
 É um tango português... Desfrutem !

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fecho os olhos


Fecho os olhos, para aqueles que cobram, sendo mal pagadores
 Fecho os olhos, para aqueles que se acham mais que qualquer um.
Fecho os olhos, para quem vê a maldade até na própria maldade que faz.
 Fecho os olhos, para os que com ferro ferem e não aguentam o espinho de uma rosa.
Fecho os olhos, para os desprovidos de bondade, aquela aplicada de dentro para fora.
Fecho os olhos, para os egoístas que querem todas as luzes do universo.
Fecho os olhos, para os desprovidos de carácter, porque personalidade já é artigo de nascença.
Fecho os olhos, para os invejosos que não conseguem abrir os próprios olhos e enxergarem belezas onde elas realmente existam.
 Enfim, fecho os meus olhos, para você que me enterra todos os dias
com a sua falta de perspectiva, de luz, de amor ao próximo
 de companheirismo e principalmente de entendimento de sua própria alma.
Para você eu fecho definitivamente, meus olhos
 mas deixo a minha bondade na esperança
 de que possa ainda, se reencontrar!!!"

 G.Fernandes.