sexta-feira, 31 de março de 2017

Reflexão...


Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura

Martha Medeiros

domingo, 26 de março de 2017

O relógio do tempo...


Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente. Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia. Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas. Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho. Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas. E há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados da folhinha. Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembrança de horas. Há eventos que marcaram, e que duram para sempre o nascimento do filho, a morte da avó, a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado. Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”. Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo. Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz estava eu na ocasião. O relógio do coração hoje descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso. Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente. Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo. É olhar as rugas e não perceber a maturidade. É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças do que viveu. Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo. O tempo A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana
Art by Paulo Barrios

quarta-feira, 22 de março de 2017

PRIMAVERA!


Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências
O que for, quando for, é que será o que é.

 (Poemas Inconjuntos, heterónimo de Fernando Pessoa) Alberto Caeiro


Imagem  (google)

domingo, 19 de março de 2017

Não sou uma deusa...


Não sou uma deusa da beleza,
 não tenho um corpo perfeito
 mas tenho algo que encanta
 algo que flui natural
 e confesso que me transborda de orgulho
 ser a musa inspiradora de um homem muito especial

. Gardenia by Gardenia
 art by Mario Dilitz

sábado, 18 de março de 2017

Janelas do meu quarto.


Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo. que ninguém sabe quem é
 ( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
 Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
 Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
 Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa
 Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
 Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
 Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
 Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
 Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer
 E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
 A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
 Falhei em tudo.
 Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
 A aprendizagem que me deram
 Desci dela pela janela das traseiras da casa.

 (Trecho de Tabacaria, de Fernando Pessoa)

quinta-feira, 16 de março de 2017

SEM RAZÃO - Maria Dilar


Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.
 Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.
 Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.
 Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.
 Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.
 Mas depois de muita análise e observação,

 se você vê que algo concorda com a razão
 e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.

 Buda

segunda-feira, 13 de março de 2017

Sou toda FÉ...


"Minhas costas aguentam o peso que levo
 porque o coração está cheio de gratidão.
 Meus pés caminham, mesmo doloridos
 porque acreditam no caminho que escolheram.
Não há como desistir, embora a vontade venha

 quando a certeza de que tudo valerá a pena
 está em cada partícula de nós.
 Sou toda esperança
 Sou feita de fé."

 Rachel Carvalho

domingo, 12 de março de 2017

A face; espelho...


A face é um espelho dos seus sentimentos internos
 É o órgão do corpo mais observado e notado.
O estado da sua consciência é claramente visível nela
 A face reflectirá e espalhará a fragrância da beleza interior
quando é preenchida de pureza e felicidade.
Quando você entra em contacto com os outros
eles lêem e recebem muitas coisas através dos seus olhos
e de sua expressão facial positiva.
Imediatamente isso fica impresso na mente deles.
 Depois - através de acções, gestos e palavras
 eles expressam isso para você."

 Brahma Kumaris

sexta-feira, 10 de março de 2017

DESENHO...

Viver é desenhar sem borracha.
Porém, a vida não é como um desenho
feito a lápis onde, ao se cometer o menor erro
pode-se apagar e consertar o traço.
Sempre ficará a marca d'água do lápis
a mesma forma que o papel amassado
jamais voltará a ser como era antes...

 desconhecido

quinta-feira, 9 de março de 2017

MARIA DILAR - NÃO SEI PORQUÊ


Assim também acontece
Com quem o amor não viveu.
Como não nasce sozinho
Plantemos pois, do amor, a semente
E teremos uma árvore bela e frondosa,
De onde colheremos frutas deliciosas
 Com cheiro e sabor de carinho!

desconhecido

quarta-feira, 8 de março de 2017

Motivo


Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento
. Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada
 E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.

Cecília Meireles

foto- Maria Dilar


sexta-feira, 3 de março de 2017

Maria Dilar - Fado da saudade (Imagens artísticas)

Para sempre !


Por que Deus permite que as mães se vão embora?
Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga
quando sopra o vento e chuva desaba
veludo escondido na pele enrugada
água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve
e passa sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça, é eternidade.
Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei:
Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho
e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.


Carlos Drummod de Andrade
foto-Maria Dilar