sábado, 17 de novembro de 2018

Aida Garifullina & Andrea Bocelli⭐♫ "Vicino a te s'acqueta"/aus Andrea C...

Que tempo é o nosso ...


Que tempo é o nosso?
 Há quem diga que é um tempo a que falta amor.
 Convenhamos que é, pelo menos, um tempo
 em que tudo o que era nobre foi degradado
 convertido em mercadoria.
A obsessão do lucro foi transformando o homem
 num objecto com preço marcado.

 Eugénio de Andrade

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Estrela ...



Porque o meu coração é tão iluminado?

 Porque as estrelas estão tão brilhantes?

 Porque o céu é tão azul ,  desde a hora que eu conheci você?



 Charles Chaplin

sábado, 27 de outubro de 2018

Fotógrafo


Um fotógrafo não faz uma fotografia
 apenas com sua câmara,
mas com os livros que leu,
os filmes que assistiu,
as viagens que fez,
s músicas que ouviu,
 as pessoas que amou.

 Ansel Adams

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Só alguém especial ...


Qualquer um pode fazer - te feliz
 fazendo algo especial.
 Mas só alguém especial
 poderá  fazer-te feliz, sem fazer nada.

 CIT

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Chico Buarque - Apesar de Você



>Hoje você é quem manda Falou, tá falado
Não tem discussão, não. A minha gente hoje anda
 Falando de lado e olhando pro chão
 Viu? Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão
 (Coro)
 Apesar de você amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir Quando o galo insistir em cantar?
 Água nova brotando E a gente se amando sem parar
 Quando chegar o momento Esse meu sofrimento
 Vou cobrar com juros. Juro! Todo esse amor reprimido,
 Esse grito contido, Esse samba no escuro
 Você que inventou a tristeza Ora tenha a fineza de "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado, Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
 (Coro2)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver O jardim florescer
Qual você não queria Você vai se amargar
Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença
 E eu vou morrer de rir
 E esse dia há de vir antes do que você pensa
Apesar de você
 (Coro3)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver A manhã renascer
E esbanjar poesia
 Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente, Impunemente?
Como vai abafar Nosso coro a cantar,
Na sua frente. Apesar de você
 (Coro4)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal, La, laiá, la laiá, la laiá??

domingo, 30 de setembro de 2018

Poética


De manhã escureço
 De dia tardo
 De tarde anoiteço
 De noite ardo.
 A oeste a morte
 Contra quem vivo
 Do sul cativo
 O este é meu norte.
 Outros que contem
 Passo por passo:
Eu morro ontem
 Nasço amanhã
 Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando

. Vinicius de Moraes

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Maria Dilar Fado da Saudade Orquestra

Cantaremos

 Provisoriamente não cantaremos o amor
 que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços
 não cantaremos o ódio porque esse não existe
 existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro
 o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos
 o medo dos soldados, o medo das mães,
o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores,
 o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte
flores amarelas e medrosas.

 ( Carlos Drummond de Andrade )

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

FRAGILIDADE


Como uma borboleta frágil apanhada de imprevisto
 na perpendicular do tempo assim me sinto
 Borboleta instante de ser alado meu breve instante
de infinito lembras-me o tempo fraccionado, ou indiviso?
 Danço e rodopio na luz, minha armadilha
 e só me detenho se chega a exaustão sabendo
 que ali é o fim do voo anseio ainda
minhas leves asas para me lançar na imensidão

 .ANGELA SANTOS

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
 Seu dorso frio é um campo de lírios
 Tem sete cores nos seus cabelos
 Sete esperanças na boca fresca!
 Oh! Como és linda, mulher que passas que me sacias e suplicias
 Dentro das noites, dentro dos dias!
 Teus sentimentos são poesia
 Teus sofrimentos, melancolia.
 Teus pêlos leves são relva boa Fresca e macia.
 Teus belos braços são cisnes mansos
 Longe das vozes da ventania.
 Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
 Como te adoro, mulher que passas
 Que vens e passas, que me sacias
 Dentro das noites, dentro dos dias!
 Porque me faltas, se te procuro?
 Por que me odeias quando te juro
 Que te perdia se me encontravas
 E me encontrava se te perdias?
 Por que não voltas, mulher que passa?
 Por que não enches a minha vida?
 Por que não voltas, mulher querida
 Sempre perdida, nunca encontrada?
 Por que não voltas à minha vida
 Para o que sofro não ser desgraça?
 Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
 Eu quero-a agora, sem mais demora
 A minha amada mulher que passa!
 No santo nome do teu martírio
 Do teu martírio que nunca cessa Meu Deus, eu quero, quero depressa
 A minha amada mulher que passa!
 Que fica e passa, que pacifica
 Que é tanto pura como devassa
 Que bóia leve como a cortiça
 E tem raízes como a fumaça.

 Vinicius de Moraes, in 'Antologia Poética'

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Não há falta na ausência.


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada
Aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres
Porque a ausência, essa ausência assimilada
Ninguém a rouba mais de mim.

 Carlos Drummond de Andrade,