sábado, 17 de novembro de 2018
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
sábado, 27 de outubro de 2018
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Chico Buarque - Apesar de Você
>Hoje você é quem manda Falou, tá falado
Não tem discussão, não. A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu? Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão
(Coro)
Apesar de você amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando E a gente se amando sem parar
Quando chegar o momento Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro! Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido, Esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza Ora tenha a fineza de "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado, Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
(Coro2)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver O jardim florescer
Qual você não queria Você vai se amargar
Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir antes do que você pensa
Apesar de você
(Coro3)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente, Impunemente?
Como vai abafar Nosso coro a cantar,
Na sua frente. Apesar de você
(Coro4)
Apesar de você Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal, La, laiá, la laiá, la laiá??
domingo, 30 de setembro de 2018
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Cantaremos
Provisoriamente não cantaremos o amor
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços
não cantaremos o ódio porque esse não existe
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos
o medo dos soldados, o medo das mães,
o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte
flores amarelas e medrosas.
( Carlos Drummond de Andrade )
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços
não cantaremos o ódio porque esse não existe
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos
o medo dos soldados, o medo das mães,
o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte
flores amarelas e medrosas.
( Carlos Drummond de Andrade )
sábado, 8 de setembro de 2018
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
FRAGILIDADE
Como uma borboleta frágil apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo assim me sinto
Borboleta instante de ser alado meu breve instante
de infinito lembras-me o tempo fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio na luz, minha armadilha
e só me detenho se chega a exaustão sabendo
que ali é o fim do voo anseio ainda
minhas leves asas para me lançar na imensidão
.ANGELA SANTOS
sábado, 1 de setembro de 2018
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
A mulher que passa
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! Como és linda, mulher que passas que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Porque me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passa?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
Vinicius de Moraes, in 'Antologia Poética'
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Não há falta na ausência.
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada
Aconchegada nos meus braços
Que rio e danço e invento exclamações alegres
Porque a ausência, essa ausência assimilada
Ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade,
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