quinta-feira, 28 de junho de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
sexta-feira, 8 de junho de 2018
A musica...
A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano
Minha pálida estrela a demandar!
O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;
Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões
Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera
Que desespero horrivel me exaspera
Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
terça-feira, 22 de maio de 2018
Primavera...
Ah! quem nos dera que isto, como outrora
Inda nos comovesse!
Ah! quem nos dera
Que inda juntos pudéssemos agora
Ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora.
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
E aos meus beijos de fogo palpitava,
Alquebrado de amor e de cansaço.
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...
E eu te levava, Primavera de carne, pelo braço!
Olavo Bilac, in "Poesias"
quinta-feira, 17 de maio de 2018
Gato negro...
"Eu sou um gato, negro como cor da noite.
Livre e misterioso como os astros no firmamento.
Tens medo do mistério?
Dele crias lendas, medos e fantasias?
És supersticioso e preconceituoso?
Não me uses nas tuas inseguranças.
Eu sou um gato preto
Eu sou uma vida,
eu sou mais uma beleza da Criação
assim como tu, e tudo
que existe neste imenso Cosmos."
Amara Antara
sexta-feira, 11 de maio de 2018
sábado, 28 de abril de 2018
Gosto da minha solidão
Gosto da minha solidão
do meu canto do meu quarto do meu silêncio ...
Não sinto nenhum incômodo em ficar sozinha .
Pelo contrário ...
Vou delicadamente me cuidando e me regando por dentro .
O momento em que me sinto mais feliz :
É quando fecho os olhos
mergulho profundo esqueço toda a dor
E me acaricio em alento .
Paula Monteiro
segunda-feira, 23 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Os ninguens,os donos de nada.
"Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos,
morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialectos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal
aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.” . .
Eduardo Galeano, em “O Livro dos Abraços”
domingo, 8 de abril de 2018
Maria Dilar _ Fronteira de Coragem
.
tPortugal visto de cima
é um Fernando Pessoa... distante, profundo
e intrigante, cheio de reentrâncias e Saramagos...
Moog Laet
sábado, 7 de abril de 2018
Se alguém lhe disser que sonha...
Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram
embala-se em valsas que não dançou
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.
Se alguém lhe disser que sonha
levantará com desdém o arco das sobrancelhas
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.
Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.
Cecília Meireles, 'Poemas (1942-1959)'
sexta-feira, 30 de março de 2018
A vida é barulhenta
A vida é barulhenta.
Dentro ou fora de nós, nada se aquieta.
Queremos nos comunicar, exigimos respostas
na velocidade de super-hiper-mega bytes
contabilizamos "notificações", desejamos
ser cutucados de volta.
Sem perceber, desaprendemos a silenciar.
Desaprendemos a suportar a voz que cala
e sofremos com a falta de respostas.
Desaprendemos a ser ausência.
De vez em quando é necessário ser silêncio.
Habituar-se à própria presença
inteirar-se de sua solidão.
Comunicar tudo sem dizer nada.
Fabíola Simões
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