terça-feira, 12 de maio de 2020

Pudesse eu ter


Pudesse eu não ter laços nem limites
 Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
 Suspensos na surpresa dos instantes!

 Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 2 de maio de 2020

Maria Dilar escuta o meu silencio.


Escuta o meu silêncio
Lê os meus olhos, espera alguns segundos,
 e verás uma lágrima cair, apenas uma,
 apenas aquela que não consegui aprisionar
 com um sorriso...

 "desconheço autor"

terça-feira, 21 de abril de 2020

Vai menino...


Corre menino que a fome vem,
corre do risco que esse mora ao lado
corre do frio, que o verão não é mais quente
foge do morro, que ele não é mais no alto
 vai para o mar, que aqui não se respira
corre para a lua, que aqui não é mais o mundo

 Gustavo Guza

quinta-feira, 2 de abril de 2020


«A vida é uma caminhada cíclica de evolução.
 Tudo é efémero, nada mais prevalece
 para além da aprendizagem dessa caminhada».

 Palavras do poeta Lacobrigense João Murty
 foto Maria Dilar

sábado, 28 de março de 2020

Que música escutas tão atentamente que não dás por mim?

 Que música escutas tão atentamente que não dás por mim?
 Que bosque, ou rio, ou mar?
 Ou é dentro de ti que tudo canta ainda?
Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui,
 mas tenho medo, medo que toda a música
 cesse e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas
 se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
 Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim.

 Eugénio de Andrade

Maria Dilar
28 de março de 2017 às 00:44 · Lisboa ·

segunda-feira, 23 de março de 2020

Dou voz ao meu fado e canto até doer...


Por tanto querer amar, trago a alma dolorida…
prendendo o coração às coisas desta vida,
dei voz ao meu fado e canto até doer. .

João Murty
 (Cavaleiro de Letras Guardador de Sonhos)

domingo, 1 de março de 2020

Suplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas
 E que nele posso navegar sem rumo
Não respondas,ás urgentes perguntas que te fiz
 Deixa-me ser feliz assim, já tão longe de ti como de mim
 Perde-se a vida a desejá-la tanto.
 Só soubemos sofrer, enquanto,o nosso amor durou
Perde-se a vida a desejá-la tanto
 Só soubemos sofrer, enquanto
 O nosso amor,durou
Mas o tempo passou, há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

 Miguel Torga
foto Maria Dilar

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Ode ao Gato


Ode ao Gato
Tu e eu temos de permeio a rebeldia que desassossega, a matéria compulsiva dos sentidos. Que ninguém nos dome, que ninguém tente reduzir-nos ao silêncio branco da cinza, pois nós temos fôlegos largos de vento e de névoa para de novo nos erguermos e, sobre o desconsolo dos escombros, formarmos o salto que leva à glória ou à morte, conforme a harmonia dos astros e a regra elementar do destino.
 José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"