domingo, 31 de maio de 2020

Nunca questiones em verso


Alguém, um dia disse: Nunca questiones em verso
 Se é do amor que queres falar.
 Ama a palavra como se amante fosse
Como se fizesses amor com a folha de papel
Como se um beijo teu a desfolhasse em pele.
Como se corasses o seu rosto pálido com desejo teu.

 Maria Santos Alves
 foto Maria Dilar

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Mulher


Mulher lua A outra face, a face nua Mulher terra
O que é mistério, o que se espera Mulher natureza
 O que é firme, o que é beleza Mulher força
A gravidade, a correnteza Mulher água
O nascimento, a incerteza Mulher vida
Por toda parte, a tua semente. Mulher gente

. Rayme Soares
 foto Maria Dilar

Maria Dilar Riancheira

terça-feira, 12 de maio de 2020

Pudesse eu ter


Pudesse eu não ter laços nem limites
 Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
 Suspensos na surpresa dos instantes!

 Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 2 de maio de 2020

Maria Dilar escuta o meu silencio.


Escuta o meu silêncio
Lê os meus olhos, espera alguns segundos,
 e verás uma lágrima cair, apenas uma,
 apenas aquela que não consegui aprisionar
 com um sorriso...

 "desconheço autor"

terça-feira, 21 de abril de 2020

Vai menino...


Corre menino que a fome vem,
corre do risco que esse mora ao lado
corre do frio, que o verão não é mais quente
foge do morro, que ele não é mais no alto
 vai para o mar, que aqui não se respira
corre para a lua, que aqui não é mais o mundo

 Gustavo Guza

quinta-feira, 2 de abril de 2020


«A vida é uma caminhada cíclica de evolução.
 Tudo é efémero, nada mais prevalece
 para além da aprendizagem dessa caminhada».

 Palavras do poeta Lacobrigense João Murty
 foto Maria Dilar

sábado, 28 de março de 2020

Que música escutas tão atentamente que não dás por mim?

 Que música escutas tão atentamente que não dás por mim?
 Que bosque, ou rio, ou mar?
 Ou é dentro de ti que tudo canta ainda?
Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui,
 mas tenho medo, medo que toda a música
 cesse e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas
 se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
 Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim.

 Eugénio de Andrade

Maria Dilar
28 de março de 2017 às 00:44 · Lisboa ·