domingo, 28 de janeiro de 2018
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Quando está frio no tempo do frio ...
Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.
Aceito as dificuldades da vida porque são o destino
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.
Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime
Da mesma inevitável exterioridade a mim
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.
Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos
Mas nunca ao erro de querer compreender demais
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
sábado, 13 de janeiro de 2018
Maria Dilar _ Fronteira de Coragem
Cada vez gosto mais de ser português
e cada vez tenho mais orgulho no meu país.
É-me insuportável ouvir dizer
«somos um país pequeno e periférico»
Para mim Portugal é central e muito grande.
António Lobo Antunes
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Chove...
Chove.
Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego
Chove.
O céu dorme.
Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove.
Meu ser (quem sou) renego…
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove.
Nada apetece…
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente
Como uma coisa certa que nos minta
Como um grande desejo que nos mente.
Chove.
Nada em mim sente…
Fernando Pessoa
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Plante...
Plante.
Prepare a terra com carinho
semeie com doçura, regue com devoção
proteja com amor, e sinta-se feliz em fazer tudo isto
porque nesta vida a colheita nem sempre será tua,
mas a acção de plantar, em si, é que consiste no verdadeiro bem.
Augusto Branco
Gallery Art New York
Albert Anker 1831-1910
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Maria Dilar _ Fado Negro Negro Fado
Toda a minha vida é fado
Canto de pássaro cansado
num piar triste e profundo
sábado, 9 de dezembro de 2017
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Amamos tão pouco.
amamos tão pouco e temos tanto para amar
morrer é não estar onde o mar nos pode levar
onde o céu se deixa tocar onde a estrela
começa a queimar morrer
e não ser amante de barco à vela
menina a sorrir à janela rosa, botão, jardim, flor de lotus e jasmim
Poema de Florbela
amamos tão pouco neste mundo
quase louco
e temos tanto para amar
morrer é não ficar deitada ao sol na areia
é não acreditar na verdade da sereia
morrer é não sonhar com o amor
que há para dar à nossa volta,
em todo o lugar
em cada cantinho da ter
morrer é não viver com o coração em guerra
sempre, com o amor a palpitar...
. rosamar
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Ventania...
Ventania
O vento sussurra-me algo ao pé do ouvido
Mas sei que não me amas Ainda!
– Falo-me com esperança
De um dia ser eu o teu amor
E mesmo que eu entendesse as cantigas do vento
Saberia que em nada seria declarações
Mas, ah! Se eu pudesse falar a língua dos ventos
Teria a audácia de mandar-te um beijo a mais.
Natani Risorim
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Terra ensina-me...
Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.
"UTE" Philip Novak
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Maria Dilar
O destino une e separa.
Mas nenhuma força é grande o suficiente
para fazer esquecer pessoas
que por algum motivo
um dia nos fizeram felizes....
domingo, 5 de novembro de 2017
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