terça-feira, 5 de julho de 2016

Não te fies no tempo, nem da eternidade


Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens
 me puxam pelos vestidos, que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
 Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo!

 Não demores tão longe, em lugar tão secreto
 nácar de silêncio que o mar comprime, ó lábio, limite do instante absoluto!
 Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te escuto!

 Aparece-me agora, que ainda reconheço a anémona aberta na tua face
 e em redor dos muros o vento inimigo...
 Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te digo...

 Cecília Meireles,

2 comentários:

  1. Obrigada Ana por gostar, também gosto muito deste poema...Abraço Grande...

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