sexta-feira, 2 de setembro de 2016
domingo, 21 de agosto de 2016
Partir...
(...) é preciso partir é preciso chegar Ah, como esta vida é urgente! ...
no entanto eu gostava mesmo era de partir
... e - até hoje - quando acaso embarco para alguma parte
acomodo-me no meu lugar fecho os olhos
e sonho: viajar, viajar mas para parte nenhuma
... viajar indefinidamente... como uma nave espacial
perdida entre as estrêlas
Mário Quintana
Imagem-Le-Dernier
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Retrato...
Eu não tinha este rosto de hoje
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas
e frias e mortas; eu não tinha
este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança
tão simples, tão certa, tão fácil
Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
imagem-google
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Tuas palavras...
Tuas palavras antigas
Deixei-as todas, deixei-as
,Junto com as minhas cantigas
Desenhadas nas areias.
Tantos sóis e tantas luas
Brilharam sobre essas linhas
Das cantigas — que eram tuas
Das palavras — que eram minhas!
O mar, de língua sonora
Sabe o presente e o passado
Canta o que é meu, vai-se embora:
Que o resto é pouco e apagado.
Cecília Meireles
terça-feira, 2 de agosto de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Anseios insaciáveis...
Sou feita de caminhos indecifráveis
Confidências inconfidentes
Anseios insaciáveis
Sonhos inalcansáveis e amores infindáveis
De uma substância rara, com uma pitada de flor
Cheirinho suave, e intensidade de amor
Na maioria das vezes você não vai me entender
Meu coração tem razões que a própria razão ainda não compreende
Talvez sejam longes demais os caminhos
por onde vagueia minha mente além daquilo
o que os teus olhos podem alcançar
Porque eu ainda busco o infinito
ainda perco tempo a viajar
Definitivamente, não me poderás entender
Eu ainda sorrio em olhar as estrelas
E isso tudo é surreal demais para ti
Apenas aceita-me e me ama
contenta-te em me fazer feliz !
Agny Tayná Mota
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Hoje de manhã saí muito cedo.
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer... Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
e Assim quero que possa ser sempre -- Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro
sexta-feira, 22 de julho de 2016
De longe te hei-de amar
De longe te hei-de amar
da tranquila distância em que o amor é saudade
e o desejo, constância.
Do divino lugar onde o bem da existência
é ser eternidade e parecer ausência.
Quem precisa explicar o momento e a fragrância da rosa
que persuade sem nenhuma arrogância?
E, no fundo do mar, a estrela, sem violência
cumpre a sua verdade, alheia à transparência.
Cecília Meireles
quarta-feira, 13 de julho de 2016
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Andei pelos caminhos da vida...
Andei pelos caminhos da Vida.
Caminhei pelas ruas do Destino procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama, falou que não podia atender
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela se tinha mudado sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela fez- me entrar: deu-me vestes novas
perfumou-me os cabelos, fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho.
Cora Coralina
terça-feira, 5 de julho de 2016
Não te fies no tempo, nem da eternidade
Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens
me puxam pelos vestidos, que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto
nácar de silêncio que o mar comprime, ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço a anémona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te digo...
Cecília Meireles,
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